19/09/2013

Nosso amor

 Eu sonhei e foi revigorante. Aquilo que a gente só pode encontrar nos sonhos... Daí eu te encontrei. Você falou algo engraçado e eu sorri. Você não entendeu o meu sorriso e sorriu junto. Daqui a pouco estávamos na cama sorrindo tanto um do outro, como sempre. Por que esse sorriso me falta agora? Eu estou tateando no escuro e não o encontro. Acho que subiu poeira demais, talvez tenha atingido nosso humor. É que eu só quero retomar ele de novo.
 É como quando dá uma tontura e você quer voltar novamente ao normal. É como se estivesse tonta, andando por aí cambaleando de dor. Mas não deve ser assim. Porque você é leve, sempre me trouxe leveza. Eu devo estar num pesadelo agora, até pouco nos meus sonhos você sorria. Eu devo retomar o sonho agora, eu devo dormir. Você pode cantar uma canção? Você pode me envolver em seus braços? Você pode esperar eu acordar? Não, não vá antes que eu retome nosso humor. Meu dia começa e termina com o nosso humor. Com o nosso amor.

14/05/2013

Medo

 Não sei o que ando sentindo... Talvez medo. Bom, é certo que ele sempre me acompanhou, só acho que agora anda mais próximo. Anda se encostando e querendo me habitar. Não, eu não o dei permissão, porém até ele tem liberdade. Essa liberdade às vezes suja, que a gente quer hora ou outra esquecer. Liberdade soa forte e é forte. Só penso que ela exagera  me dizendo que eu posso ser feliz quando estão largando minha mão, e eu vejo esse alguém indo embora com sua sombra. Só penso que ela exagera quando diz que eu posso ser feliz mesmo parte de mim estando triste demais.
 Meu corpo me diz e eu não quero escutar. Ele está me avisando que o céu vai fechar e vem tempestade das grandes por aí... E sim, os trovões. Eu tenho medo dos trovões e dessa liberdade fajuta, que pro mundo a gente toma banho de chuva mas quando dá o primeiro estrondo, nos encolhemos no quarto. Eu tenho medo de chorar também, porque doi. Não doi como um soco no estômago, é uma dor diferente. Não sei se esse diferente é pior ou melhor. É algo intocável, irremediável. E lá vem aquela conversa besta de tempo... Pois é, o tempo também me dá medo. As coisas mudam muito com o tempo.
 Eu, hoje, posso dizer com toda certeza, que o tempo me mudou. Não me arrependo. E é disso que tenho medo. De que não se arrependam de soltar minha mão e ela fique em vão, solta. Solta não tem nada a ver com liberdade, tem a ver com solidão. Ando solta por aí, ando me perguntando tanto. Eu poderei me responder??? Sim, tenho medo das consequentes respostas. O silêncio perturba quando você espera (nem que seja um balançar da cabeça), mas a resposta desconhecida amedronta.
 O amor me amedronta. Eu já cai em armadilhas e acho que é isso que o meu corpo quer dizer, cair doi. Amar doi. Arriscar-se é um misto de prazer e dor. Hoje está sendo mais dor do que prazer. E é exatamente isso que meu corpo quer dizer. Que eu sou fraca, frágil e posso sofrer mais. Marcar minha pele com mais cicatrizes dessas quedas bruscas. E ando tremendo de medo. Esse frio imaginável me faz perder os sentidos, vejo minha mão solta, avulsa.. Irá segurá-la? Não sei, talvez esteja ouvindo esse alguém me dizer algo que ainda não tenho certeza do que é. Devo estar perto de dormir, devo estar dormindo.
 O que irá me dizer quando eu acordar? Talvez soletrar algo como "vai ficar tudo bem, vai dar tudo certo". Um beijo? O beijo é a única coisa que não me dá medo. É minha salvação. Saudade me dá medo, saudade do beijo me dá muito medo. E eu não sei se vou acordar e vê-lo ao meu lado. Talvez eu acorde muito tarde, mania minha de ter preguiça. Porém não quero perder seu rosto de vista, tenho medo disso. Você indo enquanto minha mão tenta resgatá-lo...
Amor é forte, amar é fraco.

28/04/2013

Amor é forte, amar é fraco

Pensar na distância faz o coração chorar, antecipa a saudade.
Amor é forte
Amar é fraco

Não sei se me acostumo logo, acalmo a minha alma. Ou se deixo pra depois...
Tanto faz, a dor vai chegar. Já chegou, só falta acomodar-se.
Amar é fraco, muito fraco
Neste momento o amor não está pondo sua força na mesa.

Meu caminho terá de seguir, meus próprios pés, solitários. Eu solitária.
Porque eu não consigo imaginar um sorriso nisso?
A minha boca esboça por engano.
Amar é fraco
Amor está tentando ser forte. Torço por ele...

Eu tento dizer, eu quero dizer. Eu consigo?
Você foi meu descanso, meu encontro.
Ver-te indo já já, é levar parte de mim
Que talvez demore a voltar. Talvez não volte do mesmo jeito
Volta um dia?
Amor é forte sim
Mas amar é tão frágil, tão exposto, tão perigoso

E eu nem imagino tanta coisa sem você
Mas há de ser sem você.
A vida é mesmo muito irônica e boa parte, cruel
O amor, lá vai... tentando ser forte
O amar, coitado, já nem pensa mais nisso.


"Esqueço que amar é quase uma dor..."

31/01/2013

Trilha

O piscar dos olhos em um milésimo de segundo visto bem lentamente. Fazendo o caminho inverso do suor saindo dos poros. A mão acariciando a nuca, bagunçando os cabelos, fazendo cócegas e risos incontroláveis - extremamente espontâneos. Um beijo que parecia conhecer somente ali o ato de beijar - antes o que era? Uma caminhada de pés descalços na areia molhada, na areia fofa... Uma caminhada na grama verde. O cruzar dos dedos, em um movimento leve, sutil. O sono carregado de estrelas quando se cruza com o  outro (teu) sono. O desabrochar de um sorriso, o surgimento de uma fragilidade - que lindo e intrínseco são as fragilidades humanas. O tempo que passa, carregando momentos e deixando lembranças. A saudade do que já se viveu e também do que ainda irá viver. A saudade! A espera pelo dia seguinte, o próximo segundo, um abraço. A chama que se acende e não há vontade alguma de apagar. O fogo que toma conta e queima quilômetros dentro do desejo. A distração do sentir, que vez ou outra solta risadas descuidadas. A fala baixinha no ouvido, que pede a maior proximidade possível. O frio que pede aconchego. A descoberta que não se cansa de desvendar os labirintos e cria outros e outros e nunca cessa. A trilha que se segue...

10/10/2012

Reflorescimento

 Eu respiro, finjo parecer algo normal... Tentar esquecer, sabe? Como quem diz: Isso acontece com todo mundo, eu não sou diferente. Comigo não vai ser diferente. E aí eu me ponho a chorar, lamentando toda a situação. Melodramática, que sou. Sentimentalismo excessivo. Sempre fui assim, muito ofendida com a vida. Ela vem, dá um chute manso e eu faço disso uma novela. E sempre me pergunto, será que sou só eu que assisto? Daí me ponho a chorar, novamente. E quando ela, a vida, resolve ser bondosa, eu estranho. Encaro-a. Indagando-me. Eu mereço? É... Como quem se acostuma e se surpreende por estar feliz. No entanto, vou pondo a roupa, apressada, e tratando logo de correr pra encontrar com ela. Saio pisando em buracos, poças, me sujando, lavando minha alma. Compro uma água, volto a andar depressa... Ela me espera, finalmente, ela me espera. Sigo arfante em encontrá-la. A felicidade bateu na porta e correu, quer que eu a siga. A felicidade me telefonou, quer que eu a encontre. A felicidade me deu um presente, quer que eu desfrute. Por isso corro, corro pra escrever e dizer que estou encontrando-a e não sei se eu apenas me assisto... Não me importa, o romance tá surpreendendo a cada capítulo e eu não perco por nada - a novela da minha vida.
 Algumas tardes a gente toma um café, numa conversa longa. Encontros imprevisíveis, espontâneos. Soltamos gargalhadas despercebidas, tornamo-nos amigas sem dá conta da hora. E porque marcar horário com a felicidade, como uma consulta ao médico? A felicidade cura, é certo. Mas vem assim... Sem que possamos nem sequer preparar um cartaz de "Bem vinda". Porque ela sempre será bem vinda! E vou, sorrindo pelos cantos, pela boa companhia que ando conhecendo ainda mais. Ela fez as malas e veio me visitar, acho que veio pra ficar. Eu finjo que veio pra ficar, de vez.

"É uma lei básica: exatamente como a água flui para baixo e o fogo flui para cima, o amor flui em direção a felicidade."

12/09/2012

Yo

 Eu que ando. Que andar cansa, mas também exercita. Que andar movimenta. Eu que desmonto. Que depois me remendo. Porque ser inteiro o tempo todo, cansa. Eu que como. Porque abastecer é necessário e deliciar-se também. Eu, que submeto. Porque condição e opção existem. Submeter-se por ter ou querer. Submeter-se a quê? Você? Mesmo? 
 Eu. Eu que leio pra encontrar-me e definir-me - sem êxito. Eu que leio pra tentar sair de mim. Eu que consigo sair e doi quando volto. Eu que volto porque tenho vida, mas que ela muda quando leio, sim. E eis que volto pois mudança seguida interrompe a absorção.

24/08/2012

 Eu que já não sei mais onde piso, apenas sigo. A coragem transbordando o copo do medo. Pois mergulhada eu vou nadando e no fundo vejo a superfície. Ela que me chama, atenta para as aventuras e delírios do coração. Apenas nado. Uma palavra doce está me bebendo aos pouquinhos, mas quem tem sede sou eu. Sede de vivê-la, conhecê-la e me deliciar. Ando nadando nesse copo... A superfície quer me alcançar pra finalmente eu ser bebida - pelo amor.