18 de mai de 2018

Voltei para mim

Tem um buraco nesse blog, há mais de um ano que não escrevo. Tem a ver com os meus vazios e os meus espaços preenchidos que ainda não pude digerir. Não sei se entendi meus vazios e meus preenchimentos, nem sei se tenho o que escrever. Mas eu preciso! Aqui é o único lugar que sou eu sem maquiagem. Afinal, ninguém me lê, ninguém usa mais blog hoje em dia. De quê vale isso aqui senão para mim? Acho que abandonei esse espaço tentando fugir de mim mesma. Escrever me aproxima de meus medos, angústias, coragens, vontades, esperanças e desesperanças. Amores e desamores.
Tem alguma coisa entalada na garganta que não sai. Ou eu não deixo sair. Sei lá... Tem alguma coisa entalada na garganta querendo sair. To escrevendo sem ler para ver se por acaso essa coisa sai pela boca e para nas minhas mãos agoniadas, na ânsia de escrever alguma coisa que faça sentido. Que me faça entender. Que faça me entender. Tem mudanças de anos aqui dentro sem serem processadas e virei esse tipo de muda, que nem sequer escreve pra tentar se salvar dos próprios monstro. Não sei quanta consciência e inconsciência tem isso. Tomara que não tenha covardia.
Mas cá estou eu, com certa coragem, buscando recuperar meu planeta e minhas palavras. Romper com o silêncio.

23 de abr de 2017

És doce
sorriso
cheiro
pele

Mas sabes ser forte
presença
toque
beijo

Teu equilíbrio acalma
Tua calma equilibra

Tu se abre mas não invade
Tu se entrega mas não pesa

És passo cauteloso nessa dança
Mas sabes ser descomedida

Só peço pra o vento levar esse medo

Porque quanto a mim:
já to entregue

7 de mar de 2017

Um grande amor nunca morre

Não tenho como não sumir da tua vida, não é uma opção. Preciso compreender o fim e pra isso é necessário distância. Não é uma escolha, é condição. E ainda muito machucada não tenho como lutar contra. Mas aonde quer que tu esteja, ao cruzar a esquina, ao te encontrar sem aviso, ao ouvir teu nome, tuas histórias, ao saber de tu, meu coração vai continuar a pular. Meu amor vai continuar querendo sair pra fora do peito e correr ao teu encontro, mas pela primeira vez a vida me ensinou a amar de longe. Que aceita a sorte de ter encontrado um grande amor, que lamenta não poder vivê-lo mais, no entanto agradece e admira, torce, preza, de longe ama e deixa ao encargo do vento ver se consegue achar o caminho pra te entregar esse amor. Todo dia te sinto, te lembro, te quero, te levo comigo. Eu sei, tu sabe, já te disse: és o grande amor da minha vida. E um grande amor nunca morre. 

3 de mar de 2017

Tu me toca e não me queima
Acende dentro de mim um pouco e cada vez mais
Fogo
De longe te vejo
De longe inflamo
De longe desejo
cada vez mais perto

Tu me devora mas não me destroi
Come um pouco e mais um tanto de mim
Leão
De longe me fita
De longe me quer
De longe me pega
cada vez mais forte

Sou presa, sou fácil
Tu também
Só disfarça

Nessa selva o único vermelho que corre em mim
é de paixão

5 de jan de 2017

Ontem

tava na praia
o céu de um azul inigualável
as folhas dos coqueiros pareciam dançar alguma música
tocava Otto
os pássaros voavam

lembrei você
que voou pra longe
mas que tava em tudo que eu via
sorri
era doce, tudo era doce
entendi

tu não tá dentro de mim
por isso não posso te esquecer
tá em tudo que eu vejo
e não tenho domínio
sorri

foi ontem
dois meses do fim
e pela primeira vez:
doce
era bonito e tranquilo te amar naquele instante
que durou horas

era doce
é doce te amar
como não entendi isso antes?