14 de mai de 2013

Medo

 Não sei o que ando sentindo... Talvez medo. Bom, é certo que ele sempre me acompanhou, só acho que agora anda mais próximo. Anda se encostando e querendo me habitar. Não, eu não o dei permissão, porém até ele tem liberdade. Essa liberdade às vezes suja, que a gente quer hora ou outra esquecer. Liberdade soa forte e é forte. Só penso que ela exagera  me dizendo que eu posso ser feliz quando estão largando minha mão, e eu vejo esse alguém indo embora com sua sombra. Só penso que ela exagera quando diz que eu posso ser feliz mesmo parte de mim estando triste demais.
 Meu corpo me diz e eu não quero escutar. Ele está me avisando que o céu vai fechar e vem tempestade das grandes por aí... E sim, os trovões. Eu tenho medo dos trovões e dessa liberdade fajuta, que pro mundo a gente toma banho de chuva mas quando dá o primeiro estrondo, nos encolhemos no quarto. Eu tenho medo de chorar também, porque doi. Não doi como um soco no estômago, é uma dor diferente. Não sei se esse diferente é pior ou melhor. É algo intocável, irremediável. E lá vem aquela conversa besta de tempo... Pois é, o tempo também me dá medo. As coisas mudam muito com o tempo.
 Eu, hoje, posso dizer com toda certeza, que o tempo me mudou. Não me arrependo. E é disso que tenho medo. De que não se arrependam de soltar minha mão e ela fique em vão, solta. Solta não tem nada a ver com liberdade, tem a ver com solidão. Ando solta por aí, ando me perguntando tanto. Eu poderei me responder??? Sim, tenho medo das consequentes respostas. O silêncio perturba quando você espera (nem que seja um balançar da cabeça), mas a resposta desconhecida amedronta.
 O amor me amedronta. Eu já cai em armadilhas e acho que é isso que o meu corpo quer dizer, cair doi. Amar doi. Arriscar-se é um misto de prazer e dor. Hoje está sendo mais dor do que prazer. E é exatamente isso que meu corpo quer dizer. Que eu sou fraca, frágil e posso sofrer mais. Marcar minha pele com mais cicatrizes dessas quedas bruscas. E ando tremendo de medo. Esse frio imaginável me faz perder os sentidos, vejo minha mão solta, avulsa.. Irá segurá-la? Não sei, talvez esteja ouvindo esse alguém me dizer algo que ainda não tenho certeza do que é. Devo estar perto de dormir, devo estar dormindo.
 O que irá me dizer quando eu acordar? Talvez soletrar algo como "vai ficar tudo bem, vai dar tudo certo". Um beijo? O beijo é a única coisa que não me dá medo. É minha salvação. Saudade me dá medo, saudade do beijo me dá muito medo. E eu não sei se vou acordar e vê-lo ao meu lado. Talvez eu acorde muito tarde, mania minha de ter preguiça. Porém não quero perder seu rosto de vista, tenho medo disso. Você indo enquanto minha mão tenta resgatá-lo...
Amor é forte, amar é fraco.

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