28/04/2013

Amor é forte, amar é fraco

Pensar na distância faz o coração chorar, antecipa a saudade.
Amor é forte
Amar é fraco

Não sei se me acostumo logo, acalmo a minha alma. Ou se deixo pra depois...
Tanto faz, a dor vai chegar. Já chegou, só falta acomodar-se.
Amar é fraco, muito fraco
Neste momento o amor não está pondo sua força na mesa.

Meu caminho terá de seguir, meus próprios pés, solitários. Eu solitária.
Porque eu não consigo imaginar um sorriso nisso?
A minha boca esboça por engano.
Amar é fraco
Amor está tentando ser forte. Torço por ele...

Eu tento dizer, eu quero dizer. Eu consigo?
Você foi meu descanso, meu encontro.
Ver-te indo já já, é levar parte de mim
Que talvez demore a voltar. Talvez não volte do mesmo jeito
Volta um dia?
Amor é forte sim
Mas amar é tão frágil, tão exposto, tão perigoso

E eu nem imagino tanta coisa sem você
Mas há de ser sem você.
A vida é mesmo muito irônica e boa parte, cruel
O amor, lá vai... tentando ser forte
O amar, coitado, já nem pensa mais nisso.


"Esqueço que amar é quase uma dor..."

31/01/2013

Trilha

O piscar dos olhos em um milésimo de segundo visto bem lentamente. Fazendo o caminho inverso do suor saindo dos poros. A mão acariciando a nuca, bagunçando os cabelos, fazendo cócegas e risos incontroláveis - extremamente espontâneos. Um beijo que parecia conhecer somente ali o ato de beijar - antes o que era? Uma caminhada de pés descalços na areia molhada, na areia fofa... Uma caminhada na grama verde. O cruzar dos dedos, em um movimento leve, sutil. O sono carregado de estrelas quando se cruza com o  outro (teu) sono. O desabrochar de um sorriso, o surgimento de uma fragilidade - que lindo e intrínseco são as fragilidades humanas. O tempo que passa, carregando momentos e deixando lembranças. A saudade do que já se viveu e também do que ainda irá viver. A saudade! A espera pelo dia seguinte, o próximo segundo, um abraço. A chama que se acende e não há vontade alguma de apagar. O fogo que toma conta e queima quilômetros dentro do desejo. A distração do sentir, que vez ou outra solta risadas descuidadas. A fala baixinha no ouvido, que pede a maior proximidade possível. O frio que pede aconchego. A descoberta que não se cansa de desvendar os labirintos e cria outros e outros e nunca cessa. A trilha que se segue...

10/10/2012

Reflorescimento

 Eu respiro, finjo parecer algo normal... Tentar esquecer, sabe? Como quem diz: Isso acontece com todo mundo, eu não sou diferente. Comigo não vai ser diferente. E aí eu me ponho a chorar, lamentando toda a situação. Melodramática, que sou. Sentimentalismo excessivo. Sempre fui assim, muito ofendida com a vida. Ela vem, dá um chute manso e eu faço disso uma novela. E sempre me pergunto, será que sou só eu que assisto? Daí me ponho a chorar, novamente. E quando ela, a vida, resolve ser bondosa, eu estranho. Encaro-a. Indagando-me. Eu mereço? É... Como quem se acostuma e se surpreende por estar feliz. No entanto, vou pondo a roupa, apressada, e tratando logo de correr pra encontrar com ela. Saio pisando em buracos, poças, me sujando, lavando minha alma. Compro uma água, volto a andar depressa... Ela me espera, finalmente, ela me espera. Sigo arfante em encontrá-la. A felicidade bateu na porta e correu, quer que eu a siga. A felicidade me telefonou, quer que eu a encontre. A felicidade me deu um presente, quer que eu desfrute. Por isso corro, corro pra escrever e dizer que estou encontrando-a e não sei se eu apenas me assisto... Não me importa, o romance tá surpreendendo a cada capítulo e eu não perco por nada - a novela da minha vida.
 Algumas tardes a gente toma um café, numa conversa longa. Encontros imprevisíveis, espontâneos. Soltamos gargalhadas despercebidas, tornamo-nos amigas sem dá conta da hora. E porque marcar horário com a felicidade, como uma consulta ao médico? A felicidade cura, é certo. Mas vem assim... Sem que possamos nem sequer preparar um cartaz de "Bem vinda". Porque ela sempre será bem vinda! E vou, sorrindo pelos cantos, pela boa companhia que ando conhecendo ainda mais. Ela fez as malas e veio me visitar, acho que veio pra ficar. Eu finjo que veio pra ficar, de vez.

"É uma lei básica: exatamente como a água flui para baixo e o fogo flui para cima, o amor flui em direção a felicidade."

12/09/2012

Yo

 Eu que ando. Que andar cansa, mas também exercita. Que andar movimenta. Eu que desmonto. Que depois me remendo. Porque ser inteiro o tempo todo, cansa. Eu que como. Porque abastecer é necessário e deliciar-se também. Eu, que submeto. Porque condição e opção existem. Submeter-se por ter ou querer. Submeter-se a quê? Você? Mesmo? 
 Eu. Eu que leio pra encontrar-me e definir-me - sem êxito. Eu que leio pra tentar sair de mim. Eu que consigo sair e doi quando volto. Eu que volto porque tenho vida, mas que ela muda quando leio, sim. E eis que volto pois mudança seguida interrompe a absorção.

24/08/2012

 Eu que já não sei mais onde piso, apenas sigo. A coragem transbordando o copo do medo. Pois mergulhada eu vou nadando e no fundo vejo a superfície. Ela que me chama, atenta para as aventuras e delírios do coração. Apenas nado. Uma palavra doce está me bebendo aos pouquinhos, mas quem tem sede sou eu. Sede de vivê-la, conhecê-la e me deliciar. Ando nadando nesse copo... A superfície quer me alcançar pra finalmente eu ser bebida - pelo amor.

01/08/2012

Calo(ejo)

 Calejo
Espero, tropeço
Eu erro
Eu entristeço
Eu esmoreço
Me calo
 Eu calejo
Vou, busco
Encontro (me)
Eu me aceito
Eu mudo
Me surdo
 Calejo
Grito, olho
Me calo!

19/07/2012

Rodeios

 Desfaça-se, há esperança ainda de paz. Mesmo que forçada, suplicada. Mesmo que pela metade ou paz de sobra. "Sobra", uma palavra que pra mim remete-se não ao exagero mas ao comodismo. Amor de sobra, dinheiro de sobra, saúde de sobra, amigos de sobra. Sobra das sobras. Estagna-se. Eu já tenho, pra quê  cuidar, cultivar, procurar, ir em busca? Desfaça-se dos costumes e não aceite sua condição facilmente.
 Na minha porta, ao redor, há umas frestas e me incomoda. Sujeira na unha, cabelo na boca. Cobranças. Espirros seguidos infindáveis. Eu, me incomodo. Mas eu tenho esperança de paz interior. Mesmo que inconstante, desfalecida. Ainda que arfante, rastejante. Aliás, o ato de "rastejar" pode ser humilhante ou preciso. Dependendo da fome, da culpa, do alvo. Da urgência.
 Eu rastejo entre meus desânimos e angústias. Sobre minhas interrogações. Sempre falta algo, embora estejamos completos?! Esse buraco é meu ou foi a falta de receber que o deixou assim? Alguém o cavou ou eu me deixei cavar? Quem sou eu com essas perguntas? Para uns sem sentido, para outros encontro, para muitos delírio, para todos: sem respostas.
 Eu, quem sou? Sou o não saber o que sou. Continuo sendo, mesmo perdida no desconhecido de mim. Ainda assim, eu me tenho: sem nome. E me continuo sendo: incógnita.