19 de jul de 2012

Rodeios

 Desfaça-se, há esperança ainda de paz. Mesmo que forçada, suplicada. Mesmo que pela metade ou paz de sobra. "Sobra", uma palavra que pra mim remete-se não ao exagero mas ao comodismo. Amor de sobra, dinheiro de sobra, saúde de sobra, amigos de sobra. Sobra das sobras. Estagna-se. Eu já tenho, pra quê  cuidar, cultivar, procurar, ir em busca? Desfaça-se dos costumes e não aceite sua condição facilmente.
 Na minha porta, ao redor, há umas frestas e me incomoda. Sujeira na unha, cabelo na boca. Cobranças. Espirros seguidos infindáveis. Eu, me incomodo. Mas eu tenho esperança de paz interior. Mesmo que inconstante, desfalecida. Ainda que arfante, rastejante. Aliás, o ato de "rastejar" pode ser humilhante ou preciso. Dependendo da fome, da culpa, do alvo. Da urgência.
 Eu rastejo entre meus desânimos e angústias. Sobre minhas interrogações. Sempre falta algo, embora estejamos completos?! Esse buraco é meu ou foi a falta de receber que o deixou assim? Alguém o cavou ou eu me deixei cavar? Quem sou eu com essas perguntas? Para uns sem sentido, para outros encontro, para muitos delírio, para todos: sem respostas.
 Eu, quem sou? Sou o não saber o que sou. Continuo sendo, mesmo perdida no desconhecido de mim. Ainda assim, eu me tenho: sem nome. E me continuo sendo: incógnita.

3 comentários:

  1. Também tenho essas dúvidas. Hora sinto angústia, hora aceito.
    Como sempre rola aquela identificação com os teus textos ^^

    Ps: Adorei o a imagem do plano de fundo ^^

    :*

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  2. "Eu, quem sou? Sou o não saber o que sou. Continuo sendo, mesmo perdida no desconhecido de mim. Ainda assim, eu me tenho: sem nome. E me continuo sendo: incógnita."
    Do caramba!

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  3. eu tambem estou sentindo isso...

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