Na noite fria
adentro
O vento traz nostalgias
de momentos que nunca vivi
Da janela do ônibus
eu vejo passar ruas escuras
lojas fechadas
Deserto na cidade
O peito pergunta
algo que não sei responder
De onde vem essa vontade louca
de viver o desconhecido?
A noite é longa
para mim apenas começou
Desço do ônibus
dou tchau pro meu coração que fica na cadeira
Na próxima viagem eu pego
ou não.
23/06/2014
17/06/2014
Tudo por
A gente vai caminhando
Indagando
Tantos "porquês"
A gente vai indagando
E por isso
Tantas renúncias
A gente vai renunciando
Desistindo
Tantos medos...
E a gente amedrontadx
caminha
Com fome de vida
E sede de viver
A gente nem pega na jarra
Nem nos talheres
A gente não põe o prato
Nem enche o copo
A gente nem sequer vira selvagem
E come e bebe com as mãos
A gente nem se permite romper
A gente vai se disciplinando
E vive vazix
Tudo por não ter coragem de se encher - de amor
Indagando
Tantos "porquês"
A gente vai indagando
E por isso
Tantas renúncias
A gente vai renunciando
Desistindo
Tantos medos...
E a gente amedrontadx
caminha
Com fome de vida
E sede de viver
A gente nem pega na jarra
Nem nos talheres
A gente não põe o prato
Nem enche o copo
A gente nem sequer vira selvagem
E come e bebe com as mãos
A gente nem se permite romper
A gente vai se disciplinando
E vive vazix
Tudo por não ter coragem de se encher - de amor
09/06/2014
Carinho
Nasci com um poço de carinho
Quando chove e ele enche
eu fico transbordando
Nasci um poço de carinho
Quando ele fica guardado
eu fico sem sentido
Nasci esse poço de carinho
Quando ele não é dado
eu seco
Quando chove e ele enche
eu fico transbordando
Nasci um poço de carinho
Quando ele fica guardado
eu fico sem sentido
Nasci esse poço de carinho
Quando ele não é dado
eu seco
29/04/2014
Cada parte
Cada dia que passa
Cada passo que dou
Cada dia que raia
Cada raio que parte
Cada parte de mim
Cada pedaço de estrada
Cada estrada que percorro
Cada sufoco que passo
Cada passo que dou
Cada dia me convence
Cada escolha foi certa
Cada acerto me mostra
Cada parte tua tem validade
Cada prazo se encurta
Cada tempo corre
Cada corrida no tempo
Cada sorriso que brota
Cada broto me mostra
Cada parte tua tem validade
Cada passo que dou
Cada dia que raia
Cada raio que parte
Cada parte de mim
Cada pedaço de estrada
Cada estrada que percorro
Cada sufoco que passo
Cada passo que dou
Cada dia me convence
Cada escolha foi certa
Cada acerto me mostra
Cada parte tua tem validade
Cada prazo se encurta
Cada tempo corre
Cada corrida no tempo
Cada sorriso que brota
Cada broto me mostra
Cada parte tua tem validade
08/02/2014
Passado
Todos os dias eu tomo uma dose de esquecimento pra tentar não lembrar de ti, e mesmo assim, acabo por nunca esquecer. Como quando a enxaqueca é tão grande que o remédio torna-se ínfimo - apenas o repouso, a quietude, vai fazê-la sumir.
Você que não é doença, não é mal-estar, mas que também não é paz. Você que não é guerra, não é tumulto, mas que também não é calmaria. Você é indecifrável dentro de mim, algo entre o maravilhoso e o péssimo. Você oscila, despenca rapidamente entre uma coisa e outra. Você, cá dentro de mim, bate, espanca meu coração tentando sair, ganhar o mundo... e eu sofro por não encontrar ainda as chaves pra tua liberdade. Ah, como eu queria... Queria te ver pássaro indo embora do meu coração, sorrindo por não tê-lo preso - e assim, não me fazer refém também. Refém do amor que sinto. Esse amor que me prende: corrente amarrada aos pés. Só consigo andar lentamente.
Você, que mora comigo, dorme comigo, está nos meus sonhos, na minha solidão, você que é intocável, impalpável, mas que vibra com uma intensidade, você que insiste em não me abandonar, você que teima em ainda fincar-se em mim, você, você, você. Você não tem nome, você não tem rosto, você não tem idade, mas você tem desejo, você tem teimosia.
Você que não é doença, não é mal-estar, mas que também não é paz. Você que não é guerra, não é tumulto, mas que também não é calmaria. Você é indecifrável dentro de mim, algo entre o maravilhoso e o péssimo. Você oscila, despenca rapidamente entre uma coisa e outra. Você, cá dentro de mim, bate, espanca meu coração tentando sair, ganhar o mundo... e eu sofro por não encontrar ainda as chaves pra tua liberdade. Ah, como eu queria... Queria te ver pássaro indo embora do meu coração, sorrindo por não tê-lo preso - e assim, não me fazer refém também. Refém do amor que sinto. Esse amor que me prende: corrente amarrada aos pés. Só consigo andar lentamente.
Você, que mora comigo, dorme comigo, está nos meus sonhos, na minha solidão, você que é intocável, impalpável, mas que vibra com uma intensidade, você que insiste em não me abandonar, você que teima em ainda fincar-se em mim, você, você, você. Você não tem nome, você não tem rosto, você não tem idade, mas você tem desejo, você tem teimosia.
Você, que é o meu passado, você me pertence como um presente. Eu tento excluí-lo, para que meu futuro seja livre... como sempre quis, como sempre busquei, como desejei e me sacrifiquei para isso. Eu creio que apenas com o descanso, eu possa ir tateando as cegas os esconderijos do coração e enfim, achar as chaves. A tua liberdade, será minha liberdade.
Hoje estive pensando, como em todos os outros dias, em como fazer pra apagar meu passado. Dai lembrei que apagar é quando ainda tem muita importância. Apagar é fraqueza. Eu preciso viver esse passado, entendê-lo, diluí-lo, digeri-lo, engasgar-me se necessário. Mas eu preciso separar o que foi bom e o que não foi. Eu preciso superá-lo. E aí, eu poderei ser presente. Pensar em um futuro. "Expulsar não basta, tem que parar de pulsar."
30/01/2014
Bicicleta
- Tenho ânsia de amar.
- Tens ânsia de amar? Por quê? Amar é uma dor
- Por quê?
- Tens ânsia de amar? Por quê? Amar é uma dor
- Por quê?
- Porque é impactante. Como andar de bicicleta... Você se machuca, cai, se fere. Pode até conseguir aprender, mas sempre estará sujeito a dores. Em algum momento terá pedras, buracos, areia fofa, chuva. Além do próprio desequilíbrio mental. Se tu queres tanto amar é porque certamente nunca amou. Claro que andar de bicicleta é uma aventura, dá frio da barriga, o vento forte no rosto é incrível, a chegada até o destino é sempre insaciável e se quer mais e mais e mais. Nada pago o preço do risco, é verdade... Mas machuca demais quando a corrente se quebra, quando o ferimento é profundo ou quando finalmente, a bicicleta decide que você não sabe andar: ai ela te abandona. Amar, você pode até aprender, mas estará sempre assim: calejado de dor.
02/01/2014
Eu fui andando em direção ao mar. Cheguei até a areia. Entrei na água fria. Pulei uma onda, depois outra e outra e outra. Então eu nadei. Nadei desesperadamente. Eu só via a imensidão do mar e uma linha que parecia ser o fim. Eu queria ir até o fim. Ofegante, eu tentava. Eu dizia pra mim mesma: Não desista! E dias e noites eu nadei. Boiava pra aliviar o cansaço. Eu olhava o céu, o sol, a lua. Eu via barcos, navios. Eu tive socorro, porém o neguei. Eu negava que deveria desistir. Eu tentei, eu fugi. Eu quase morri, mas não desisti. Nadei contra corrente, contra o vento. Nadei contra mim mesma. E foi ai que fui sendo só corpo e esqueci da alma. Tentar nadar requer muito mais. Nadar tornou-se mecânico. Na minha busca eu esqueci do querer. Eu esqueci do amor. Eu esqueci de mim.
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