2 de set de 2011

Findável enjoo

 Começa como bolhas de sabão, vira uma espuma bem densa e vai subindo pela garganta, como uma ânsia de colocar tudo pra fora. Essa espécie de tsunami interno que vai recolhendo toda a água pra depois formar uma grande onda, é o que eu desejo expulsar de mim - e tem o mesmo gosto salgado do mar.
 Nesse plágio mal feito do oceano existem as chamadas conchinhas, que acolhem, me cuidam. O que queima é você, água-viva. Que arde, flameja, esse líquido picante queimando tudo por dentro. Você é que provoca vontade de despejar, você que transforma meu calmo marzinho numa reviravolta. Agita, sacode, estremece - um maremoto descrito.
 Quem sabe nessas subidas e decidas da vida, eu vomite de vez todo esse mal que me consome, essa angústia estomacal que me segue, me deixando sempre mais enjoada. Enjoada até de mim mesma, de você. Quem sabe no balançar dos ventos fortes eu estremeça as pernas, me agache e a dor misturada com revolta incômodo aflição faça enfiar o dedo forçando pôr pra fora tudo que atormenta. 
 Pode até ficar um pequeno mar. Mas primeiro vem meu conforto, minha tranquilidade, meu bem-estar. Nada de algo se agitando dentro do meu ventre, só por enquanto eu ainda suporto. Por enquanto me entorpeço de efervescente. Chegará finalmente, o dia em que tudo será calmaria. E eu seguirei gentilmente, com toda delicadeza possível. Então, tudo estará firme novamente. Não há firmeza maior do que não tê-lo mais aqui dentro.

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