7 de mar de 2014

  Queria que alguém escutasse meu desespero além de mim. Não uma pessoa, um próximo, um amigo. Eu queria alguém distante, que só me escutasse. Queria dizer pra essa pessoa o quanto eu ando triste, sem vontade de viver. E que meus sorrisos ao longo do dia são por impulso, pra aliviar, arrebentar a dor. Ela arrebenta, mas se emenda de novo. Ela não corta, ela me corta.
  Queria alguém bem longe, alguém que olhasse minha vida como estranha. Queria que alguém tentasse entendê-la, entender-me. Eu verdadeiramente me sinto perdida. Esse vazio aqui tá cada vez ocupando mais espaço. Tá se expandindo, tá se instalando, tá montando morada. E eu sem forças, to deixando ele se acomodar, me habitar.
  Queria muito, verdadeiramente, que esse alguém - imaginário - me desse a mão. Eu preciso desse apoio fictício, eu necessito de carinho. Por favor, me encontre, me ache, me ajude. Eu preciso de alguém, mesmo que imaginário, irreal, ainda que mudo. Eu preciso de alguém aqui no meu quarto pra enxugar minhas lágrimas, mesmo que com as minhas próprias mãos.
  Só eu sei o quanto eu preciso de uma companhia, eu mesma não me basto. Eu preciso criar um ser que me entenda, ainda que nasça de mim mesma, da minha própria imaginação. Eu ando perdida, sem sentido, sem visão, sem rumo. Parece que o mundo desabou e só restou à mim, vagando por ai... Eu pergunto-me se vale a pena apostar. Apostar o quê?
 Eu ando pobre de esperanças.

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