19 de nov de 2013

Dilema

 Será mesmo por diminuição do amor, mudança de seu sentido? Como vou entender meu coração que me puxa pra um lado e a mente pra outro? Eu to caminhando feito alguém que perdeu a visão aos dezenove anos, tateando lugares desconhecidos... Enxergar em meio a poeira - que insiste em nunca baixar - é a coisa mais complicada que já me aconteceu. Não sei se deito e espero o vento levar; não sei se corro, louca, à procura. De quê?
 Se eu entendesse o que é pra ser buscado, eu iria. Eu atravessaria o oceano... Mas eu não sei. Eu me perdi, me desencontrei. Toda a certeza que tinha foi jogada ladeira abaixo e eu só a enxergo lá no final. Meu pés, fincados no chão, nem exitam em correr atrás dela: eu já não a alcançaria. E é assim, duvidosa, exitando, que eu vou vivendo. Sem saber se tenho motivos pra chorar ou pra sorrir.
 Tenho medo do tempo me atropelar, das minhas decisões passarem do ponto e acabarem por queimar no fogo, sem chance alguma. Eu tenho medo de me queimar em minha própria incerteza. Porque não saber pra onde ir é o que mais doi nesse momento. Divido os pés, um quer ir pra longe, outro quer ficar. Qual dos dois devo seguir?
 Eu preciso escolher um caminho. E esse caminho há de ter os dois pés. Difícil mesmo é não saber o que o outro pé tanto queria andar pela outra estrada. Seja ela de asfalto, de lama, quente, menos dez graus. Eu preciso entender pra que chão eu quero caminhar, com quem quero estar. Se eu quiser ficar sozinha, talvez o mundo desabe nos meus pequenos pés. E eles não suportam esse peso.

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