5 de nov de 2012

Eu e minha cadeira.

 Tinha uma cadeira na minha frente e uma plateia na frente dela. Me sentei. A plateia, por sua vez, fez o que toda e qualquer mera plateia faz: Me assistiu. Mas eu não tinha intenção de encenar, apenas de descansar as pernas. Então, logo virei de costas - acho que me entenderam errado. É, o ser humano tem uma certa tendência - em minha opinião - de distorcer as coisas. Mas ninguém, sequer uma pessoa, perguntou-me se havia descansado, se o peso que carregava tava se esvaindo. Queriam o espetáculo... Mas o drama da história, é que a plateia não era meros desconhecidos, cada um deles tinha um significado para mim.
 Enfim, fui vivendo em torno daquela cadeira da forma como queria. E julgaram-me. Disseram que eu havia mudado. Talvez não os tenha correspondido, talvez não os tenha agradado. Mas não vim pra encenar. Talvez buscar meu descanso tenha sido uma ofensa. Mas e daí? Talvez disseram eles: "Pouco me importa seu bem estar, eu quero ver o que eu vim ver". E talvez, o que eles vieram ver, era egoísta demais. Eu que sou um tantinho altruísta, dessa vez realmente mudei. Há mal em buscar a felicidade? No meu mundo, os outros deveriam também ficar felizes com a dos outros. Ou não?
 Essa cadeira, na qual refiro, é minha própria vida. E há quem diga que tenho mudado. Mas, eu prefiro estar em movimento. Talvez, minha mudança seja pra mim mesma e não pros outros. Nem todo mundo entenderá e nem eu espero que entendam. Se minha felicidade não traduz felicidade para os outros também, é sinal de que as pessoas são egoístas. E foi aí que eu virei de costas pra "plateia" da minha vida.

3 comentários:

  1. Lindo! Tantas vezes eu sinto isso, e tu conseguiu traduzir.

    A metáfora da cadeira foi perfeita. Parabéns :*

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  2. Belo texto! Concordo com Laís, a metáfora da cadeira foi perfeita!

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  3. Maravilha s de palavras e de pensamentos. Amei!

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