16 de mai de 2012

Obra

 De um modo incerto, ouçam sussurros das ondas do mar. Elas me levam de um modo suave pra areia. O meu paladar anda distorcido, sinto doce o sal da água. Sinto as ondas quebrarem em cima de mim como um acalento. Abro os braços, enxergo um horizonte longe que nunca avistei, um paraíso distante em que nunca toquei. Não é exagero quando digo que o vento está a meu favor, sinto um perfume forte e intenso. Único. E sobre mim há uma obra de arte, abstrata, sem seguir uma linha de raciocínio lógica. Qual arte tem lógica? A felicidade tem lógica? A vida, a vida tem lógica? Ela deita em cima de mim, como um refúgio. Não, ela não procura encontrar-se, ela não procura. Ela quer se perder. Ela quer ir comigo pisar nesse lugar desconhecido, e eu concedo seu pedido que se mostra através das tintas. Uma obra de arte tão linda dessa nunca jamais me foi apresentada e esboçada em meu corpo. Eu concedo pra nós o prazer da descoberta.

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