5 de out de 2011

Pintura masoquista

  O quadro estava branco, ela sabia. Morno, tranqüilo, retraído para seu interior – sem cores. Vieram verde oliva, violeta, até um amarelo e nenhum desejo despertava para jorrar cores na sua tela. Mas então, trouxeram o vermelho e ela se rendeu. Não havia sentido mais sua vida sem vida, logo, ela quis agitação, atirar-se aos vestígios daquela cor. Desejara então não só seu quadro com vermelho, mas suas paredes lençóis janela cama comida. Via-se a necessidade de estar num mundo vermelho, num mundo cheio de vermelho. Até que do vermelho veio o sangue, lembrou de quando “se morre um pouco por alguém” e mais uma vez desejou seu quadro branco, calmo, sem graça. Agora não só morno mas também triste. Agora não branco e sim cinza. O céu lá fora tava claro, ensolarado, mas dentro dela, no seu quadro, só tinha espaço pra uma coisa: a disritmia. 

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