29 de set de 2011

Pancada brusca

  Bateu, bateu como um vento forte e gelado, daquele que resseca a boca. Não soprou, bateu. Mas antes veio como uma brisa, aos poucos envolvendo e puxando cada vez mais ar - o meu ar, o meu corpo, a mim. Foi formando uma coisa gélida e simplesmente bateu, numa pancada só. Sem rodeios, foi direto, como uma seta, um alvo, uma meta: eu. Sem desistências, sem renúncias, sem piedade. Meteu-se em meu rosto, que brutalmente chamo de cara, meteu a mais rápida batida, que o som ecoou por todos os lados, todos os ouvidos, mas sentir mesmo só eu. Ouvir, todo mundo ouviu. Difícil foi sentir aquela "mão" pesada daquele vento sem dó. A vermelhidão ficou na bochecha e o sangue tá se esvaziando agora. Quanto tempo isso dura? Quanto um tapa na cara não deixa uma dor eterna, ou duradoura? Quanto é que vale tudo isso depois? E esse vento, tinha essa autoridade toda? Não...

Um comentário:

  1. Oi, Lucille, bom dia!!
    Quantas e quantas vezes não sofremos as pancadas desse vento forte e gelado?! Quantas vezes nosso rosto não fica corado, marcado pela dor desse vento que invade nossa vida sem maiores explicações?! Resta-nos juntar toda a serenidade que pudermos, mesmo diante do momento mais sofrido, para seguir nosso caminho corajosamente.
    Há grandes verdades em seu texto. Gostei muito!
    Um abraço carinhoso
    Leo

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