5 de jun de 2011

Narrando o fim

 Ele tava lá sentado, pálido, como quem teme por algo tão forte que até então eu desconhecia. Sentei a sua frente e olhei fixamente em seus olhos - ele tentava, a todo custo, encontrar os meus e quem sabe, por sorte ou não, se encontrar também. Foi assim que se permaneceu durante um bom tempo a minha espera. Então, ele falou, bem baixinho, num sussurro, como se quisesse negar o que tinha pra dizer ou simplesmente acabar com aquela angústia que percorria em mim e nele, alternando de um pro outro - nunca cessava. E as palavras foram saindo da sua boca pouco a pouco, num ritmo indiscutivelmente lento e apreensivo. Ele me amava, mas não queria. Não teve explicações. Nem meias-palavras. Nem súplicas de amor. Eu que já supliquei tanto pra ser amada, naquele momento só queria que alguém estivesse comigo porque queria e que isso bastasse. Nada saiu de mim, além de uma pergunta retórica: "Essa é sua última palavra?" E como algo que ainda minimamente pequeno surgisse em mim, ainda sim pulsava a esperança de ter outra resposta. "Sim, essa é minha decisão." E sem nenhum alicerce, como um escuro que banhou todo o ambiente deixando apenas sair da minha boca sem nenhum poder de decisão: "Se é a sua, é minha também." E sem beijo na testa, no rosto, um aperto de mão, nem sequer um abraço - ou talvez até tenha acontecido e por súbita dormência eu não me lembre de ter sentido - ele se foi... Ele se foi lindo, lindo porém não meu. E se um dia houve de ter sido. (...)

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