8 de jun de 2011

Narrando o fim II


(...) O tempo foi passando, as pessoas foram passando. Eu ficava no mesmo lugar, só saia quando preciso. Tudo virou mecânico. Dormir virou mecânico, chorar já virou mecânico. Sem nenhuma relutância eu ia indo, sem resposta dele. A única coisa que me habitava era a dor, a única lembrança. E se só era essa que teria, eu manteria bem guardada. Por isso não me mexia, não me importava - contanto que tivesse ao menos essa mínima recordação. Ele poderia ter ligado, ter mandado uma mensagem, um e-mail, poderia ter aparecido aqui inusitadamente na minha porta e fazer companhia aos meus dias extremamente solitários, tornando-os mais apaixonantes possíveis. Ele poderia. Mas assim como eu, ele também queria. Queria que alguém corresse atrás do seu amor, que desse importância. Talvez ele tenha esperado, talvez ele tenha me esperado. Mas eu não iria suplicar por seu amor e ele não viria atrás do meu. Do seu orgulho não veio as súplicas, e sem súplicas não teria seu amor. Foi assim que continuamos. Ele de um lado e eu do outro. Todos os dias se passando, como eu disse, todas as pessoas passando. E sem nenhum aviso antecedente, ele também passou.

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